quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

as mouriscas


Vindos da Serra da Estrela em direção a casa, resolvi fazer uma pequena paragem na terra dos meus avós paternos. Fica ali para os lados de Abrantes, numa aldeia pequena de seu nome Mouriscas. Sempre foi lá que passei as minhas férias escolares, na companhia dos primos, dos tios e dos avós. Adorava ir para lá. Era lá que eu estava em família. Era e é lá que chamo de "terra". Ir à terra, era ir às Mouriscas. Era assim desde que me lembro de ser pessoa. Passava lá longos períodos e numa me fartava. Muita brincadeira, muita traquinada, muita natureza, muita liberdade. Os Natais eram sempre lá, aliás, na minha cabeça a imagem de um Natal em família, com a mesa permanentemente cheia de doces e comida, muita gente a falar com conversas cruzadas, lareira a arder, um frio de rachar lá fora, presentes à meia noite no sapato de cada um de nós... tudo isso é nas Mouriscas. Mas depois, depois a minha avó foi-se embora... 1 ano depois foi a minha tia {que também me criou e que tanta falta me faz!}... e depois o meu avô. Com isto, as Mouriscas deixaram de ter os meus avós e deixaram de nos ter a nós. A nós todos juntos, como fomos em tempos. Já não vamos voltar a ser, pelo menos não todos. Infelizmente. Mas... tantas vezes falo nas Mouriscas que quis fazer esta paragem para mostrar ao homem o sítio onde já fui muito feliz e apresentar-lhe aqueles que já partiram e que tanta falta me fazem. Trouxe três ramos de uma árvore que estava verde no meio do branco da Serra Estrela e deixei um em cada uma das minhas pessoas que já não estão. Soube-me bem lá ir... mas voltei triste. Já sabia que ia ser assim.

2 comentários:

Pedro disse...

Com tabela de basket e tudo!:)

P.

ju disse...

sim, dá saudades!
Mas só um reparo"a tua tia fez parte da tua criação"